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Reflexão
Benjamim Busato, um Padre de grandes intuições
Postada em: 26/04/2008

Benjamim Busato, Padre de grandes intuições

Por ocasião dos 90 anos de Erechim, o Instituto Estevam Carraro (organizado pela família de Geder Carraro, que edita o jornal Voz Regional) relança a “Revista de Erechim”. Para ela, me foi solicitado um texto sobre Pe. Benjamim Busato, que publicou muitos artigos no jornal A Voz da Serra, nome anterior do atual Voz Regional. Parece-me oportuno veicular o texto também em Comunicação Diocesana como devido tributo ao Pe. Benjamim e a muitos outros padres que deixaram suas marcas pastorais em nossas paróquias, diversos deles citados na publicação do Secretariado de Pastoral de  nossa Diocese, fruto do I Fórum da Igreja Católica no RS – DADOS HISTÓRICOS – Diocese de Erexim e Região.

 

Dados biográficos

Pe. Benjamim Busato, filho de João Busato e Justina Ruaro, nasceu no dia 27 de junho de 1902, em Vale Vêneto. Foi batizado no dia seguinte e crismado no dia 16 de dezembro de 1907. Seus padrinhos de batismo foram José Busato e Lúcia Lorenzi. Seu padrinho de crisma foi Antonio Rossato.

Fez os estudos seminarísticos (antigo primário, ginasial e colegial) no Seminário de Santa Maria e de filosofia e teologia no Seminário de São Leopoldo. Foi ordenado padre no dia 09 de agosto de 1925.

Ele chegou em Erechim como vigário paroquial da Paróquia São José de Boa Vista do Erechim no dia 21 de janeiro de 1926. Era Pároco Pe. Carlos Schwertschlager. Transferido para Candelária, deixou a Paróquia em 08 de maio daquele ano. Pe. Benjamim assumiu a condução da Paróquia até a chegada do Pe. Vicente Testani, que assumiu a função de pároco no dia 04 de julho e nela permaneceu até 26 de dezembro, quando Pe. Benjamim, por nomeação do Bispo de Santa Maria, assumiu como Pároco. Permaneceu na função até o dia 17 de maio de 1950.

Por algum tempo, não exerceu o ministério presbiteral, tendo residido na região de Guiratinga, Mato Grosso. Retomando o ministério, após passagens por outros lugares, de 1963 a abril de 1966, foi capelão do Hospital de Caridade, em Erechim. Depois, até sua morte, foi capelão do Hospital Santa Isabel, de Gaurama. Morreu em acidente de trânsito, no dia 27 de março de 1984, pelas 14:00, ao tentar cruzar, com seu “fusquinha”, a BR 153, saindo de Erechim para Gaurama. Seus restos mortais estão nos ossários da Catedral São José.

Algumas realizações

- vigoroso trabalho apostólico: Pe. Benjamim sempre desenvolveu ritmo intenso de atividade pastoral. No livro “Tombo” (n° 1, p. 18v), Pe. Carlos registra que ele chegou dia 21 de janeiro de 1926 e já no dia 23 saiu para uma primeira rodada de visita a diversas comunidades. “Voltou no dia 03 de fevereiro, um pouco cansado, mas cheio de fervor e zelo, continuou já no dia 06 suas viagens...”.  Trabalhava realmente com muito zelo e afinco. Até a criação da Paróquia Na. Sra. do Rosário de Barão de Cotegipe, em 1938, atendia toda a região com as atuais paróquias de Cotegipe, São Valentim, Erval Grande, Benjamim Constant... Sua pregação era forte e incisiva. Deu especial atenção à catequese familiar. Um sinal de valorização de sua experiência neste campo se deu pelo ano de 1980. Os padres que trabalhavam na Paróquia São Miguel Arcanjo de São Miguel do Oeste que lhe solicitaram texto com orientações para os pais na educação da fé de seus filhos. Ele atendeu com alegria e prontidão a solicitação.

- incentivo especial à Romaria da Salette: Em 1935, Pe. Benjamim visitou o Santuário de Lujan, na Argentina. Ao retornar, correndo boatos de nova revolução no Estado, convidou os fiéis a ir em Romaria para Marcelino Ramos, pedir a intercessão de Na. Sra. da Salette. Participaram 600 pessoas. Antes de partir, de trem, reuniu-os na igreja para a confissão. Tornou-se assim um dos idealizadores da Romaria Interestadual da Salette em Marcelino Ramos. A cada ano, ele organizava a caravana de romeiros da Paróquia, fretando diversos vagões de trem. Em 1941, levou 1.200 pessoas.

- construção da igreja São José: No período de 1927 a 1935, dirigiu a construção da conhecida “matriz”, a igreja São José, de 45m por 20m, num total de 945 m², no custo da época de 690 contos de réis. Orientou a construção de igrejas das diversas comunidades da Paróquia.

- defesa e promoção dos agricultores: Por algum tempo, dirigiu a Associação Rural, que tinha como sede a chácara onde atualmente está o Seminário de Fátima. Nela colocou uma família, a de Mariano e Genovefa Lise, com a tarefa de cuidar da criação de porcos, galinhas e sementes de qualidade melhorada para fornecer aos agricultores. Incentivou a soja na região. Pelo ano de 1948, ele entregou alguns quilos de semente da oleaginosa ao referido casal para plantar e depois também distribuir aos agricultores. Durante a segunda guerra mundial, por causa da escassez de produtos e por causa do preço na região, fazia vir, de Porto Alegre, pelo trem, açúcar, sal, querosene, farinha e fornecia aos agricultores.  

- atuação sócio-política: Segundo uma de suas crônicas em Meu Erechim Cinqüentão, n° 30, garantiu a construção da estrada de Erechim a Nonoai, intervindo junto ao Governo estadual. Adiantou dinheiro para o início dos trabalhos. Para garantir a energia elétrica de qualidade, assinou empréstimo de “mil contos” junto ao Banco Pfeifer (crônica 67). Fundou o Círculo Operário local. Conforme pesquisa de Sônia Mári Cima, que resultou na publicação de “Reza e Política, uma combinação na história do Pe. Busato em Erechim”, Pe. Benjamim chegou a ser indicado para ser candidato a Deputado estadual, mas não aceitou. De 1946 a 1947, foi membro e Presidente do Conselho de Administração (Câmara de Vereadores).

Na coletânea de crônicas citada, revela sua consciência crítica e seu adiantamento no tempo: “ainda sustento constantemente – o que o Brasil deve temer é a corrupção em primeiro lugar, o comunismo vem muito depois...”.

No livro do “Tombo” (n° 1, p. 30v), constata-se que, em 1931, Pe. Benjamim “conseguiu, com a boa vontade dos respectivos vigários, promover conferências sobre esclarecimento da consciência política, nas Igrejas de M. Ramos, Viadutos, Capo-Erê e Erechim. ... Quiçá que um dia vejamos algo para melhorar a situação”.

Fez parte da Comissão Central de uma Exposição do Milho promovida pela Secretaria da Agricultura em 04 de agosto de 1940, em Erechim, com participação de 27 municípios. Registro dele no mencionado livro Tombo (n° 1, p. 57): “amanheceu um dia de festa como poucos aqui. ... Após a missa, pronunciei conferência sobre o milho, graça de Deus, para a nossa colônia. Historiei o milho e sua utilização religiosa pelos povos da América Central e sua utilização pelo homem, como comida. ... A seguir, foi inaugurada a exposição, pronunciando um discurso o Sr. Dr. Ataliba Paz (Secretário da Agricultura), que disse em primeiro lugar que o Pe. Benjamim já fez o discurso oficial, melhor do que o dele não farei”.

De 21 a 28 de janeiro de 1945 (Tombo, n° 1, p. 75), com a participação dos diversos departamentos da Ação Católica paroquial, nos 25 anos de sua fundação, promoveu um Congresso Social-Católico de Erechim, com pregações de manhã, de tarde e de noite. Fizeram palestras Dom Antonio Reis, Bispo de Santa Maria, Dom Frei Cândido M. Bampi, de Vacaria, o próprio Pe. Benjamim, outros padres, Dr. Adroaldo Mesquita da Costa, Deputado Estadual e Federal, Dr. Hildebrando Westphalen, Deputado e ex-presidente da Assembléia Legislativa, Dr. Amadeu Weimann e outros.

Estudioso e escritor

De acordo com o que ele mesmo escreve em artigo publicado em A Voz da Serra (hoje Voz Regional) de 19/02/1943, sua biblioteca era constituída de “quase dois milheiros de volumes”, dos quais mais de 500 eram de história da Pátria. Por dois ou três anos, manteve coluna sobre política e religião no jornal “Stafetta” (hoje Correio Riograndense) de Caxias do Sul. Valia-se do pseudônimo “Bépi Scúria”, em dialeto. Seria José Soiteira, açoeiteira, rebenque. Em A Voz da Serra publicou muitos artigos. Nele utilizava o pseudônimo Chico Tasso. À primeira vista, parece nome real. Lido numa palavra só, “chicotaço”, surge de novo a idéia de relho, açoite, soiteira. Nos dois pseudônimos, se tem aquilo que muitas vezes ele colocava em seus textos: uma fustigada, uma “cutucada” a destinatários diversos, conforme o assunto abordado.

Por ocasião do cinqüentenário de Erechim, A Voz da Serra reuniu 80 de suas crônicas na publicação “Meu Erechim Cinqüentão”. Os arquivos do Instituto Estevam Carraro conservam estes e outros preciosos escritos deste “erechinense” de coração.

Um benemérito de grandes intuições

Pelo que se disse e por muitos outros aspectos, Pe. Benjamim foi um cidadão de grandes intuições, lúcidos descortínios. Um grande lutador. Combativo. Enxergava mais à frente.

 

Erechim, 21 de abril de 2008, Dia de Tiradentes.

 

Pe. Antonio Valentini Neto, Pároco da Catedral São José.

 

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