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Reflexão
Migrações e nova evangelização
Postada em: 14/01/2012
Com o objetivo de criar um ambiente de acolhida aos migrantes, valorizar sua identidade e favorecer a integração, a Igreja Católica celebra, neste domingo, dia 15 de janeiro, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (No Brasil, o dia é celebrado em junho, conforme decisão da CNBB). Para esse dia, o papa Bento XVI escreveu uma mensagem com o tema: “Migrações e nova evangelização”, intimamente ligada à ideia de migrações como característica nos dias atuais. O Papa manifestou sua preocupação com a complexidade dos deslocamentos migratórios, e aconselhou aos cristãos que assumam o compromisso da Nova Evangelização com a acolhida fraterna ao migrante e refugiado. Na mensagem, o Papa quer sensibilizar sobre a situação desumana em que vivem em todo o mundo milhares de pessoas, migrantes e refugiadas, tendo seus direitos e dignidade humana desrespeitados. Diante do vasto e complexo fenômeno da mobilidade urbana, a Igreja é chamada a realizar uma nova evangelização intensificando a ação missionária com novo vigor e novas estratégias pastorais. Segundo o papa, a sociedade contemporânea, em busca de melhores condições de vida, ou para fugir de condições de violência, como guerras e miséria, produziu uma grande mistura de pessoas e de povos sem precedentes, com novas problemáticas do ponto de vista não só humano, mas também, étnico, religioso e espiritual. “A Igreja enfrenta o desafio de ajudar os migrantes a manterem firme a fé, mesmo quando falta o apoio cultural que existia no país de origem, lançando mão inclusive de novas estratégias pastorais, assim como de métodos e linguagens para um acolhimento vivo da Palavra de Deus”, afirma o Papa. As migrações nos ajudam a refletir sobre a necessidade de sobrevivência e mostram o dinamismo dos que se põem a caminho, dispostos a encontrar um lugar melhor para viver. As migrações denotam vitalidade, expressam coragem e suscitam transformações. Prova desta vitalidade são as transformações positivas deixadas pelos migrantes em nosso país. O Brasil não seria o que é sem a expressiva contribuição dos migrantes, seja vindos de outros países nas levas migratórias do final do século dezenove e início do século vinte, seja os migrantes internos, que dinamizaram com seu trabalho tanto as regiões industrializadas como o interior do país. Mas, historicamente, as fronteiras costumam atrair violência. Esta provoca o surgimento de cercas, que acabam se transformando em muros. Alguns desses muros foram construídos há milênios, outros mais recentemente e têm ainda os que estão sendo erguidos. As tensões vividas em torno das migrações nos ajudam a perceber a contradição que o sistema econômico está impondo ao mundo. Ele propaga a livre circulação do capital, e a restrição de movimentação das pessoas. Não há flagrante mais evidente da perversidade do sistema do que este contraste entre a liberdade total do dinheiro e a restrição das pessoas. O capital pode circular à vontade, para auferir os ganhos proporcionados pela especulação, favorecida pela extrema dependência financeira em que caíram os países pobres com o endividamento externo. Ao passo que se restringe a circulação das pessoas, para impedilas de participar dos frutos do desenvolvimento, sustentado em países privilegiados pelo ganho do capital. Contra esta nova dominação se insurgem os migrantes. Eles se constituem em profetas das mudanças. Eles são advogados do direito à vida. São parceiros da luta por um mundo solidário, onde haja espaço para todos viverem com dignidade. Pe. Dirceu Balestrin - Vigário Geral da Diocese, em Voz da Diocese de 15/01/212
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